RAIDOL lança o EP “Todas as Mensagens que Nunca te Enviei” com participações de Maderito Fora do Normal, Rebeca Lindsay e Luê

RAIDOL apresenta seu novo EP “Todas as mensagens que nunca te enviei”, com lançamento pelo selo suave.cito, de Kaká. O trabalho reúne três faixas e marca o primeiro projeto da artista no ano, dando continuidade à narrativa iniciada em lançamentos anteriores.

O EP parte de experiências pessoais e histórias de amor que não foram verbalizadas no momento em que aconteceram. A artista reúne frases, sentimentos e situações que permaneceram guardadas e transforma esse material em repertório. O projeto surge em um período de dedicação integral à carreira e consolida uma sequência de lançamentos que vêm construindo uma identidade artística centrada na vivência, na memória e na exposição de afetos.

A mensagem que atravessa o trabalho está ligada ao amor próprio e à capacidade de reconhecer a própria força após relações marcadas por entrega e frustração.

O lançamento será acompanhado por uma live session gravada na Ilha de Mosqueiro, distrito de Belém, com as três faixas do EP apresentadas em sequência. A direção criativa é assinada por RAIDOL em parceria com Juca Culatra.O audiovisual segue o formato de live session com cenário concebido especialmente para a gravação, integrando direção de arte, iluminação e ambientação à performance. A proposta prioriza a execução ao vivo em plano sequência, destacando a presença cênica da artista e a construção visual do espaço como parte da narrativa.

Todas as faixas contam com colaborações. Em “Esse teu jeito assim”, composição de Bruno Mattos, RAIDOL divide os vocais com Maderito Fora do Normal, integrante da Gang do Eletro. A música aborda o início de um envolvimento e apresenta elementos do brega saudade.

O título “Todas as mensagens que nunca te enviei” sintetiza a ideia de comunicação interrompida. As canções tratam do que ficou por dizer e do que foi elaborado apenas internamente. A narrativa percorre três momentos, o encantamento, o desgaste e a retomada de si.

O fio condutor do EP está no pop amazônico com base no brega e em suas variações. A sonoridade transita entre o brega saudade e o melody com sintetizadores em destaque. A proposta parte de referências da música produzida na Amazônia urbana contemporânea e dialoga com memórias da artista durante a infância no Conjunto Jardim Amazônia I, em Ananindeua.

A capa traduz visualmente essa proposta. Com direção criativa e styling de Vinny Araújo e idealização e produção de arte de Josué Pantoja, o ensaio trabalha com objetos cênicos desenvolvidos especialmente para o projeto, como coração, pulmão em forma de pássaro, coroa de latinha e molduras. A imagem dialoga com referências do surrealismo presentes nas obras de Frida Kahlo e Salvador Dalí, tendo o coração como símbolo central. As fotografias são assinadas por Tereza e Aryanne, com beleza de Bella pra Jesus e assistência de styling de Fê Pinheiro.

A produção é de Will Love, que desenvolveu o projeto a partir da ideia de um trabalho conectado à cena atual do Norte, articulando referências locais e elementos do pop. O repertório também carrega influências de artistas como Fafá de Belém, Elis Regina e Maria Bethânia, mencionadas como inspiração na construção interpretativa.

“Já deu a minha hora”, escrita por RAIDOL e Amanda de Paula, conta com a participação de Rebeca Lindsay e trata do momento de ruptura, quando a personagem reconhece o excesso de entrega em uma relação.

“Lovezinho”, composta por Amanda de Paula, traz Luê e encerra a narrativa com foco na reconstrução individual. A faixa caminha pelo melody e aborda a autonomia emocional.

O EP marca o primeiro lançamento de 2026 e funciona como desdobramento do ciclo iniciado no projeto “Mandinga”. RAIDOL define o trabalho como o início do encerramento de uma fase criativa. Após este lançamento, a artista prevê um novo EP ainda este ano, antes de iniciar a construção de um segundo álbum.

Artista trans amazônida e produtora cultural, RAIDOL foi selecionada como Artista Natura Musical em 2021, indicada ao Prêmio Multishow em 2024 e integrou o line up do festival The Town em 2025. A artista destaca a importância de cada conquista de artistas travestis da região Norte como parte de um movimento coletivo que amplia a presença de vozes trans na música amazônica contemporânea.

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